domingo, 2 de março de 2008

Expedição Veliger - parte 1/3

Quem assiste um programa que tem como tema principal a natureza, provavelmente não imagina que por causa justamente dela, é um desafio para a produção, e para a equipe de reportagem.

Explico: o mau tempo, temporais, ventanias... são apenas pequenos exemplos do que poderiam prejudicar a produção de um especial sobre uma expedição científica em alto-mar.

Já ouvi comentários dizendo que a vida do repórter é muito boa, que a equipe viaja muito, conhece vários locais interessantes... Mas é exatamente para derrubar esse "mito" que a nossa produção decidiu mostrar os bastidores dessa produção jornalística batizada de "Expedição Veliger". Veliger II é o nome do barco do Instituto Oceanográfico da USP, e foi a nossa "casa" durante a viagem pelo litoral de Ubatuba, nos dias 12, 13 e 14 de fevereiro.

A idéia inicial era acompanhar os trabalhos do biólogo Sérgio Teixeira de Castro. Ele é o chefe do Museu Oceanográfico da USP, e precisa a cada semestre realizar coletas em alto-mar para os aquários da universidade na capital.

O Diário Ecologia contou dessa vez com dois profissionais de imagem: os repórteres-cinematográficos Wilson Montanha, e Focion Ishii. Eles foram orientados a gravar tudo, como um "reality show", registrar os momentos de alegria, mas também de tensão, e olha que isso passamos várias vezes durante os três dias de viagem, basta dizer que eu fiquei de repente sem ar no cilindro à 15 metros de profundidade durante um mergulho... essa história com detalhes eu conto mais para frente.

A previsão do tempo não era a nosso favor, mas resolvemos partir assim mesmo. Nosso destino era a Ilha das Couves em Ubatuba/SP, situada a 24 quilômetros do continente, e conhecida pela riqueza da biodiversidade marinha...

O primeiro dos dois mergulhos programados para este dia foi quase perfeito. Encontramos com inúmeras espécies curiosas, como o raro peixe-morcego. O estranho que ele é um peixe que tem patas.

Quando a bateria da camera subaquática acabou, nós ainda tínhamos bastante ar no cilindro... Mas para nossa tristeza, deixamos de registrar uma cena intrigante: encontramos no fundo do mar centenas de vasos de cerâmica em forma de cilindro. Lembram muito aqueles tonéis de leite nas fazendas. Todas as peças estavam bastante cobertas por vegetação marinha, corais. Isso sinalizava que estavam ali há muitos anos.

No momento cheguei a pensar: será de origem fenícia? Isso por que arqueologistas já encontraram vasos e anforas dessa origem na baia de Guanabara no Rio de Janeiro. O material está em exposição no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. Pode conferir!

http://www.museunacional.ufrj.br/

Mas a especulação foi por água abaixo, quando perbermos que por baixo de cada um dos vasos havia uma camada de chumbo, bem pesada, e bem MODERNA por sinal. O biólogo concluiu que possivelmente as peças serviam como armadilhas para polvos, e foram esquecidas naquele ponto. Não foi essa vez que nos consagramos como Indiana Jones dos mares.

Após um por do sol espetacular em alto mar, não via a hora para cair na água novamente para o mergulho noturno. Explorar as profundezas de noite é uma experiência fascinante, por que boa parte da vida marinha desperta para se alimentar nesse período do dia...

O problema é que uma fortíssima dor de cabeça que começou bem discreta no mergulho anterior resolveu me atacar pra valer. Tive que abortar o mergulho noturno, mas o biólogo Sérgio Teixeira de Castro, e o cinegrafista Focion Ishii, seguiram adiante, e trouxeram algumas curiosidades como o Baiacu, um peixe que infla ao se sentir ameaçado, e é muito apreciado na culinária oriental. O problema é que você precisa saber prepara-lo muito bem, e tirar com muito cuidado as glândulas venenosas do peixe que podem matar uma pessoa. Ainda bem que não curto muito sashimi...

Esse foi nosso primeiro dia...

Um comentário:

Talitha Medeiros disse...

Oi assisti o Diário ecologia hoje (Sábado)e vi o mergulho maravilhoso que vocês fizeram e amei porque eu adoro peixes e achei todos eles muito bonitos, é muito triste ver que as pessoas matam peixes jogando redes e deixando elas no fundo do mar ou rios,lagos etc.
Pois os peixes se prendem e acabam morrendo mas tirando isso adorei tudo.
Parabens pra vocês que trabalham ai amei tudo continuem assim ta.
Beijos pra todos vocês !!!
Talitha